3 passos para estabelecer metas mais adequadas e melhorar os processos
da sua empresa
Em nosso cotidiano organizacional,
demonstramos que colocar a sustentabilidade em prática nas áreas-chave
do negócio pode torná-lo melhor e mais lucrativo, por meio da geração de
novas receitas, da consolidação de uma cultura de desperdício zero, da
motivação dos funcionários para um desempenho superior e também pela conquista
da preferência de investidores e financiadores.
Colocar a sustentabilidade em prática não começa pela elaboração de
grandes planos, mas por algo bem mais simples e necessário: implantar
indicadores inteligentes, que gerem possibilidades de melhorias reais nos
processos, tendo em vista as necessidades dos clientes, funcionários,
comunidade ou o meio ambiente.
Você já se deparou com indicadores bem-intencionados, mas que geram
decisões inúteis ou até mesmo contrárias aos objetivos esperados? Infelizmente,
isso acontece o tempo todo.
- Queremos aumentar a leitura nas escolas públicas? Vamos aumentar o acervo de livros nas bibliotecas em 20%.
- A questão é a aprendizagem contínua dos funcionários? Então vamos medir as horas de treinamento.
- A busca é por ecoeficiência? 10% de redução no consumo de água em todas as unidades de negócio.
- As pessoas pedem por respeito ao consumidor? A lei determina que os SACs atendam as ligações em menos de um minuto.
Em todos esses exemplos, são feitos investimentos de tempo, dinheiro e
foco, e os indicadores podem ser alcançados. Apesar disso, os resultados
esperados não são atingidos. Os 20% adicionais de livros não atraem mais
pessoas para a biblioteca, as horas de treinamento não são parâmetro para a sua
qualidade, 10% de economia de água costuma ser muito em algumas unidades de
negócio e pouco em outras. Se pensarmos no atendimento do SAC em um minuto, a
questão fica ainda mais evidente. Quem já não teve que falar com três ou quatro
atendentes sem ter a questão resolvida ou precisou ligar várias vezes e ainda
teve a ligação bruscamente interrompida? Indicadores burros geram
decisões equivocadas, com sistemas de incentivos que não beneficiam as
reais necessidades dos clientes finais daquele processo.
Para chegar a indicadores inteligentes, é preciso:
1. Entender a necessidade do cliente, funcionário, comunidade ou meio
ambiente
Esse é o ponto de partida. Quando falamos do cliente de serviços, por
exemplo, a necessidade é ter seu problema resolvido no primeiro ponto de
contato, de forma definitiva, no menor tempo possível. Para chegar à
necessidade, é preciso perguntar de forma honesta e estar pronto para ouvir.
2. Identificar demandas por falha e demandas de valor
Para isso, é fundamental sair do escritório e observar as interações nos
pontos de contato. Qual é o percentual de reclamações de clientes, erros de
logística, problemas de qualidade ou retrabalho dos funcionários em relação ao
total de tempo? Tudo isso são demandas por falha, em outras palavras,
desperdícios. Demandas por falha chegam a gastar 50% do tempo e recursos de uma
equipe.
3. Definir os novos processos e indicadores, sem estabelecer metas
arbitrárias
Para eliminar as demandas por falha, é necessário olhar para o sistema
como um todo. Afinal, a reclamação do cliente no SAC surgiu por algum erro em
outro processo anterior, que precisa ser ajustado. Para definir os novos
processos, é imprescindível a participação das pessoas que atuam neles. São elas
que conhecem os problemas, que identificam soluções simples para resolvê-los e
que serão responsáveis pelo sucesso dos novos processos.
Quando focamos na simples redução de custos, acabamos muitas vezes
aumentando os custos no longo prazo. Quando, no lugar disto, focamos em gerar
mais valor para o cliente final do processo, acabamos diminuindo os custos.
Esta é uma verdade contraintuitiva, mas a analogia com processos não
empresariais pode ajudar a compreendê-la. Quantas pessoas você já viu fazer uma
dieta milagrosa, perder 5 kg em um mês para depois ganhar 8 kg ao longo dos 3
meses seguintes? A meta foi atingida, mas não de forma sustentável.
Alternativamente, o foco deveria ter sido nos hábitos de alimentação, exercício
e repouso, levando em conta as características de quem está fazendo a
dieta. Foco na geração de valor para o cliente final é igual a
diminuição de custos.
Transportando para a realidade empresarial, é preciso estar atento a
dois pontos:
a) Autonomia na ponta gera redução de custos. Essa é outra
verdade contraintuitiva. Infelizmente há insistência em achar que a redução da
autonomia e implantação de mais processos de controle são sempre a resposta
certa. Não são.
b) Metas arbitrárias a priori geram resultados
menores do que o potencial de melhoria do sistema. Voltando ao exemplo
da água, se fossem identificadas demandas por falha e por valor do sistema, é
provável que houvesse oportunidade de reduzir em até 10 vezes o consumo de água
no sistema. Infelizmente, esta abordagem analítica também é mais exceção do que
regra.
Seguir estes passos gera algumas consequências negativas. A sua empresa
poderá, por exemplo, ter menos horas de treinamento para os funcionários e ser
prejudicada na avaliação do Guia das Melhores Empresas para Trabalhar.
Entretanto, ela estará atendendo à necessidade real dos funcionários de
aprendizagem contínua e, com isso, gerando mais satisfação, menos turnover e
melhores resultados concretos para a própria empresa. Talvez seja isso que faça
uma empresa ser um excelente lugar para se trabalhar.
Portanto, para melhorar a sua empresa no curto e no longo prazo, vale
focar na geração de valor para o cliente final e definir indicadores
inteligentes, que incentivam as decisões e os resultados desejados.
Fonte: Portal Endeavor





