O que os presidenciáveis propõem para o agronegócio, que move R$ 1 trilhão ao ano

Se a economia como um todo sofre os altos e baixos e apresenta um pibinho bem anêmico, o agronegócio mostra-se bem mais robusto. A projeção de instituições financeiras para o crescimento da economia brasileira, este ano, continua em queda. Pela 15ª semana seguida, a pesquisa feita pelo Banco Central indica crescimento menor. Desta vez, a projeção para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos no País, passou de 0,52% para 0,48%. Para 2015, a estimativa segue em 1,1%. Essas projeções fazem parte da pesquisa semanal do BC a instituições financeiras, sobre os principais indicadores econômicos.
O Produto Interno Bruto do agronegócio do País calculado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) cresceu 0,42% em abril e passou a acumular alta de 1,22% no primeiro quadrimestre deste ano. O avanço do setor continua a ser puxado pelo agronegócio ligado à pecuária, cujo PIB registrou variações positivas de 0,77% em abril e de 2,39% nos primeiros quatro meses de 2014. Mas o PIB do agronegócio ligado à agricultura, que iniciou o ano em baixa, também está em ascensão. Subiu 0,27% em abril e 0,7% no primeiro quadrimestre.
O agronegócio envolve uma cifra trilionária para candidato nenhum botar defeito. Ao contrário, tem que ir atrás. É ele quem está sustentando o Brasil. Trata-se de um dos setores mais importantes da economia brasileira – que contribui com 26% do Produto Interno Bruto, responsável por 36% das exportações e cerca de 40 milhões de empregos diretos. O segmento do agronegócio, embora seja a salvação não só da lavoura, mas nacional, insiste que o governo que assumir em janeiro de 2015 precisa avançar muito e rápido em infraestrutura e logística, para reduzir o Custo Brasil, em ganhos de produtividade para aumentar a competividade, em negociações internacionais e ampliação de mercados, liberação de genéricos agrícolas e veterinários, seguro agropecuário, capacitação de mão de obra, assistência técnica e pesquisa.
AÉCIO NEVES
Serão apresentadas ao público as propostas dos candidatos à presidência da República, que concorrerão ao pleito de 3 de outubro, portanto, a menos de um mês. Aécio Neves, da coligação Muda Brasil, encabeçada pelo PSDB, é quem mais tem trânsito livre em meio à economia como um todo e em particular com o agronegócio. Aécio comprometeu-se a firmar parcerias com o agronegócio brasileiro, para tornar o setor mais produtivo e reafirmou que irá resgatar o etanol como fonte de energia renovável.
Em recente ida ao porto de Santos (SP), o maior da América Latina, e em Goiânia, dia 9, Aécio se comprometeu a investir em logística. Recebido no Parque Agropecuário pelo presidente da Sociedade Goiana de Pecuária e Agricultura (SGPA), Ricardo Yano, o candidato do PSDB fez algumas confidências que deixaram o interlocutor e Marconi Perillo, candidato à reeleição, satisfeitos. O apoio ao agro é por inteiro. E considerou que os recursos nesse sentido serão revertidos “em favor da economia, da competitividade e daqueles que produzem no Brasil”. Para tanto, sua proposta é de descentralizar a gestão, buscar de novo o capital privado. “Fugir do alinhamento ideológico” é importante em sua opinião, para que o País seja beneficiado. Ele prometeu, ainda, um choque de infraestrutura no Brasil, avançando em investimentos em ferrovias e hidrovias para ajudar no escoamento da produção. Se ele ganhar, pretende cortar metade dos 39 ministérios, mas está disposto a criar um grande Ministério da Infraestrutura.
DILMA ROUSSEFF
Como parte da estratégia para atrair o voto do agronegócio, a presidente Dilma Rousseff lançou em julho, o Plano Agrícola e Pecuário 2014/15, com um aumento de 14,7% em relação à temporada anterior, totalizando R$ 156,1 bilhões (ante R$ 136 bilhões). “Na safra anterior à chegada do presidente Lula, tínhamos colhido 96,8 milhões de toneladas de grãos (...). Na safra que estamos encerrando, nós iremos colher 191,2 milhões de toneladas de grãos”, comparou num jogo político de candidata à reeleição. “Se a gente considera que somos 200 milhões de habitantes, seria uma tonelada por habitante, o que mostra a pujança do País, 70% acima do que havia há uma década”, alfinetou.
Foram adotadas também políticas consistentes e continuadas de apoio ao agronegócio e à agricultura familiar em seu governo e a promessa é de continuar com o seu programa. A produção de grãos saltou de 96 milhões de toneladas em 40 milhões de hectares, na safra 2001/2002, para 191 milhões de toneladas em 56 milhões de hectares, na safra 2013/2014. Tamanho aumento da capacidade de produção e da produtividade foi possível pela expansão do crédito e das políticas de apoio à produção e será ainda mais impulsionada pela conclusão de obras estratégicas de infraestrutura. Para a safra de 2014/2015, estão previstos R$ 156,1 bilhões para financiar o agronegócio. Como resultado da política de fortalecimento da agricultura familiar, com crédito, seguro safra e políticas de comercialização, a renda no campo aumentou 52%, em termos reais, nos últimos quatro anos. Para a safra 2014/2015, o crédito para agricultura familiar será de R$ 24,1 bilhões. José Mário Schreiner, presidente licenciado da Faeg, entende que “o setor com Dilma conseguiu alguns avanços”. Mas vê boas possibilidades de melhora em diversos aspectos com Aécio.
MARINA SILVA
Como ministra do Meio Ambiente no governo Lula, Marina Silva se indispôs com o agronegócio em nome da questão ambiental. Em recente visita a Porto Alegre (RS), estendeu a mão ao agronegócio, um dos setores mais resistentes à candidata. Em Esteio (RS), onde se realizou uma das maiores feiras agropecuárias do País, a candidata do PSB se reuniu por mais de hora com os dirigentes da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul). Na oportunidade, foram discutidos temas sensíveis, como a demarcação de terras indígenas, o código florestal e os transgênicos.
“Os representantes do agronegócio disseram que foi muito bom ouvirem as propostas apresentadas por mim mesma, e não pelo que liam ou ouviam falar”, afirmou à revista Isto É. Conforme a publicação, Marina repetiu o que consta em seu programa de governo. Defendeu a fusão das políticas florestais, fundiária e de pesca em um mesmo Ministério da Agricultura, e a priorização das obras de infraestrutura logística para atender o agronegócio, com destaque para a construção de ferrovias, portos e sistemas de armazenagem.
Marina já havia participado da Fenasucro, tradicional feira de tecnologia sucroalcooleira, em Sertãozinho (SP). Em discurso, atacou a falta de planejamento de longo prazo para o setor energético e elogiou a produção local de energia, a partir do bagaço e de palha de cana, como exemplo a ser seguido pelo restante do País. Foi aplaudida.
Como diz o presidente da Sociedade Goiana de Pecuária e Agricultura (SGPA), Ricardo Yano, “não se joga pela janela valores de mais de R$ 1 trilhão, que são os investimentos do agronegócio”. A sua ideia na agricultura é intensificar acordos bilaterais para ampliar mercados para os produtos brasileiros; ampliar investimentos em infraestrutura e ampliar a cobertura do seguro rural. “A aproximação de Marina com o agronegócio está permitindo desfazer mitos e ruídos criados no passado”, confessa Marcos Jank, engenheiro agrônomo e diretor executivo global de assuntos corporativos da BRF e que afugenta o medo dos investidores na cadeia dos alimentos, desde a porteira ao processamento industrial, abastecimento interno e exportação pelos principais portos brasileiros.
Portal: Diário da Manhã
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